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Empresa recém-criada em MG conquista área de mineração maior que o Distrito Federal

Empresa recém-criada em MG conquista área de mineração maior que o Distrito Federal

3D Minerals, sem histórico no setor, arrematou 116 áreas de minerais críticos em leilão da ANM

Uma empresa mineira fundada pouco antes do leilão promovido pela Agência Nacional de Mineração (ANM) surpreendeu ao vencer, de forma isolada, o maior número de áreas com potencial para exploração de minerais críticos. A 3D Minerals, com sede em Belo Horizonte, garantiu o direito de pesquisa em 116 áreas distribuídas pelo país, somando 6.462 km² — extensão superior à do Distrito Federal.

Criada em 20 de junho de 2024, apenas 46 dias antes do certame, a companhia arrematou sozinha essas áreas durante o leilão realizado pela ANM em 5 de agosto de 2024, com lances que totalizaram R$ 54,8 milhões. Os dados foram divulgados em reportagem da Folha de S.Paulo.

Principais estados contemplados

A maior parte dos territórios adquiridos está no Mato Grosso, onde a empresa arrematou 61 áreas. Em seguida, aparecem:

Bahia: 22 áreas

Pará: 18

Goiás: 9

Roraima: 3

Paraíba: 2

Rondônia: 1

Os registros apontam que a 3D Minerals venceu áreas destinadas à pesquisa de 101 reservas de cobre, 13 de níquel e 2 de tântalo — todos classificados como minerais críticos, fundamentais para setores como eletrônicos, indústria bélica, veículos elétricos e baterias.

Estrutura modesta e origem recente

A 3D Minerals funciona em um escritório modesto no bairro Sion, em Belo Horizonte. No local, segundo a Folha, operam pelo menos outras três empresas da família dos sócios Eduardo Wanderley e Daniel Wanderley. Um funcionário que se identificou como “Mazinho” afirmou que o espaço funciona como um "coworking" da família e que nenhum representante estava autorizado a falar com a imprensa.

Apesar do volume de áreas conquistadas, a empresa nunca atuou no setor mineral antes e possui um capital social de apenas R$ 5.000. O regulamento da ANM não exige experiência prévia ou capital mínimo para participação no leilão.

Polêmica após o leilão

A 3D Minerals também está no centro de uma controvérsia envolvendo um de seus lances no Pará. A empresa afirmou ter cometido um erro ao registrar R$ 37,5 milhões em uma proposta, quando o valor correto seria R$ 3,7 milhões. A ANM aceitou a correção mesmo após a abertura dos envelopes, o que motivou questionamentos.

Após a divulgação do caso pela Folha de S.Paulo, o Ministério Público junto ao TCU solicitou a suspensão do resultado. O Tribunal de Contas da União entendeu que a empresa não apresentou justificativas convincentes, e o negócio foi suspenso.

Histórico dos sócios

Os nomes por trás da 3D Minerals também atuam no setor de construção civil em Minas Gerais, à frente das empresas Wanmix e Conserva de Estradas. Segundo a publicação do jornal, ambas foram citadas em investigações da Polícia Federal em 2018, ligadas à campanha de Aécio Neves (PSDB) em 2014. Na ocasião, ainda segundo o jornal Folha de São Paulo, suspeitas de repasses e doações disfarçadas foram levantadas, mas a Justiça posteriormente absolveu o senador.

Outras empresas participantes

Além da 3D Minerals, outras companhias também se destacaram no leilão de minerais críticos:

3A Mining: 40 áreas arrematadas; empresa paulista com capital social de R$ 95,9 milhões

Gestão de Ativos Brasil Administradora de Bens: 17 áreas; com sede em Santa Catarina e atuação anterior em terras raras

No total, 322 áreas com minerais críticos foram disputadas na rodada. Com seus 116 pedidos aprovados, a 3D Minerals conquistou mais de um terço das concessões.

Reações e medidas

O Ministério de Minas e Energia informou que o caso está sendo tratado pela ANM. A agência declarou que acompanha o cumprimento das obrigações das empresas vencedoras e pode aplicar medidas legais se necessário.

A ANM reconheceu que o processo está em revisão e anunciou parceria com a B3 (bolsa de valores) para aprimorar os próximos leilões. Segundo o órgão, as regras atuais se baseiam nos princípios de impessoalidade, livre concorrência e transparência.

O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) também se posicionou, por meio do diretor de Assuntos Minerários, Julio Nery. Ele afirmou que há necessidade de ajustes no modelo atual e sugeriu mais regularidade nos leilões. Estima-se que cerca de 70 mil áreas poderiam ser colocadas em disponibilidade pelo governo.

Por Plox

18/08/2025 09h33 - Atualizado há cerca de 4 horas

Fachada do prédio onde funcional a empresa que obteve as áreas para exploração. Foto: Reprodução